CIRCULAÇÃO DE INFORMAÇÃO EM MÍDIAS TRADICIONAIS

1. JAMIL MARQUES Politização e Circulação da Informação nos Mass Media: Um estudo sobre as transformações experimentadas por diferentes sistemas de mídia

O projeto visa discutir uma série de fatores que levam à crescente politização do jornalismo – principalmente no caso de democracias sob estresse devido à força de líderes populistas. Embora muitas investigações tenham se concentrado em como o jornalismo reage à retórica agressiva de populistas, as seguintes questões permanecem: Até que ponto os confrontos com os políticos populistas provocam mudanças nas rotinas de produção do jornalismo? De que modo o conteúdo jornalístico se transforma a partir do embate com lideranças populistas? Em que medida a politização da cobertura se intensificou (e até se naturalizou) em decorrência dessas disputas? Assim, pretende-se examinar as causas, evidências e consequências da alegada politização da mídia jornalística no cenário brasileiro. Este projeto oferece contribuições variadas à literatura. Em primeiro lugar, sabe-se que ainda são escassas as pesquisas que buscam entender até que ponto diferentes fenômenos têm levado a mídia a adotar uma cobertura cada vez mais politizada. Segundo, parte da literatura sugere que a cobertura de notícias politicamente engajadas tornou-se comum em diferentes culturas jornalísticas – o que sugere demanda para compreender tal fenômeno em escala comparativa. Terceiro, é preciso pesar os efeitos dessa politização na relação do jornalismo com seu público. Por fim, pretende-se construir uma reflexão original ao se questionar até que ponto reações incisivas por parte dos agentes jornalísticos têm (ou não) sido eficientes no combate aos políticos populistas. A proposta se encontra vinculada ao Eixo 2 do INCT. Mais exatamente, o objeto investigado permite discutir (a) a infraestrutura da mídia brasileira e dos sistemas de mídia em âmbito internacional, (b) as relações entre mídia estrangeira e mídia brasileira na formação da opinião pública, (c) a mídia estrangeira como fonte e parâmetro normativo da mídia nacional, bem como (d) comparar as características dos sistemas de mídia que operam em distintos países.

2. MICHELE GOULART MASSUCHIN Instituições políticas, midiáticas, científicas e da sociedade civil em contexto digital: legitimidade, fluxos de informação e relações interinstitucionais

Este projeto discute como a busca por legitimidade das ações empreendidas por diferentes atores e instituições – por meio do uso de distintas fontes informativas – modela as relações interinstitucionais. Em debates sobre temas de interesse (como uma votação no legislativo ou uma eleição) ou momentos de crise (como a pandemia) múltiplos grupos se colocam em disputa contínua por diferentes narrativas e, para isso, usam de conteúdos uns dos outros que reiteram, corroboram e reforçam argumentos, propostas e opiniões. Ou seja, muitas vezes, atores e instituições acabam mais próximos do que realmente são, por “emprestarem” conteúdos em momentos estratégicos. Isso gera um contexto de alta complexidade relacional entre organizações diversas que usam umas das outras de forma oportuna. Assim, objetivamos compreender o estabelecimento de relações entre diferentes instituições, atores individuais e grupos da sociedade civil. Para isso, é preciso buscar um indicador e, neste trabalho, utiliza-se da observação do fluxo informacional digital. Parte-se do pressuposto de que se tem um contexto de mídia híbrido, com tipos diversos de organizações que produzem conteúdos – desde nativos digitais a grupos que migram para o ambiente online – e competem por espaço para suas narrativas, ao mesmo tempo em que retroalimentam outras. Ademais, a busca por legitimidade ocorre em debates sobre distintos temas: ciência, saúde, política, minorias, entre outros. Para a análise empírica serão considerados: meios de comunicação, partidos políticos, atores políticos não-oficiais, instituições de Estado, organizações sociais, etc. Serão monitorados os discursos operados em contas de redes sociais para observação das inter- relações ocasionadas pelas dinâmicas permitidas pela rede: compartilhamentos, citações e respostas. Os objetivos são: mapear grupos e atores nas mídias digitais e verificar o fluxo de informação empreendido em diferentes debates; identificar as relações da mídia tradicional com grupos e instituições políticas; verificar a centralidade das mídias hiperpartidárias no fluxo informativo e a relação com grupos políticos; investigar as relações impostas ao longo do tempo e como estão atreladas a diferentes temáticas. Ambicionamos oferecer uma compreensão mais complexa das relações empreendidas entre tais grupos, já que a competição pode ser limitada e as alianças convenientes.

3. LIZIANE GUAZINA From South to South: a comparative analysis on media, populism and corruption in four countries

O projeto visa analisar os processos de politização da corrupção de forma comparativa em dois países da América do Sul (Brasil e Argentina) e dois países do Sul da Europa (Portugal e Itália), constituindo-se como desdobramento de outros projetos do Observatório do Populismo do Século XXI. O escopo é construir um mapa teórico-metodológico de estudos sobre populismo e escândalos de corrupção a partir de uma perspectiva do Sul global sobre os novos populismos. O projeto levanta as seguintes questões: como os usos da corruption issue nas estratégias de comunicação política de populistas nas mídias sociais contribuem para aproveitar oportunidades discursivas (Koopmans e Olzak, 2004) e organizar frames populistas sobre questões sociais e políticas? Como a politização dos discursos anticorrupção contribui para a ocorrência de mediapopulismo na cobertura política da mídia e no engajamento de conteúdos em mídias sociais? A partir delas, traça os seguintes objetivos: 1) Analisar com multimétodos e de modo comparativo os usos do tema da corrupção na cobertura de escândalos políticos da mídia mainstream e na comunicação populista de perfis de mídias sociais; 2) Mapear as bibliografias nacionais sobre o tema corrupção e populismo para organizar um mapa de referências para consulta pública; e 3) Oferecer uma abordagem latino americana para a análise internacional dos novos populismos. Dito isso, a proposta se vincula aos eixos 2 e 3 do INCTDSI ao pesquisar as dinâmicas de produção e circulação de conteúdos nacionais e estrangeiros, seja na mídia mainstream, seja em plataformas.

4. EDNA MIOLA - Democracia, governança e comunicação pública de estado em plataformas digitais

O projeto tem como objetivo compreender as condições de produção e difusão dos discursos do estado de modo a avaliar em que medida constituem-se espaços de práticas democráticas, como participação, transparência, promoção de direitos e provimento de serviços públicos e, de outro, e se é possível identificar a instrumentalização política da comunicação – seja a partir de práticas antirrepublicanas como personalização e proselitismo, seja por seu papel diante de práticas, situações ou contextos de desinformação. O projeto se vincula ao eixo 2 do INCTDSI à medida que as práticas comunicativas de estado se circunscrevem no próprio sistema de mídia nacional. A interface também se dá com o eixo 3, especialmente no que tange aos papéis assumidos por agentes e instituições do estado como partícipes do ambiente midiáticoinformacional tradicional e digital na produção de discursos e também como atores normativos, regulando-o. Nesse sentido, associam-se preocupações normativas oriundas da teoria democrática, da comunicação organizacional e da governança pública de modo a avaliar como os contextos organizacionais e políticos modulam os discursos veiculados por instituições públicas na esfera de visibilidade pública mediada. A problematização teórica da comunicação pública de estado passa pela discussão de três dimensões chaves: (1) o conceito e os projetos relacionados à comunicação pública e política, à democracia digital e à governança pública; (2) a comunicação pública estado à luz dos fenômenos da midiatização, da desinformação e da plataformização; e (3) os contextos organizacionais específicos do estado, que medeiam, produzem, abrigam e difundem discursos de natureza pública e política. Pretende-se, assim, oferecer parâmetros normativos e evidenciar casos ilustrativos que venham a servir de referência a práticas de comunicação pública de estado nas esferas dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, nos âmbitos local, nacional e internacional.

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